Saí de casa sem rumo, espelho da confusão que era agora a minha vida. Tinha mil pensamentos na cabeça, sendo o simples esforço de tentar ordená-los demasiado penoso.Como tinha deixado as coisas chegarem àquele ponto? Em que altura da vida tinha perdido a convicção que sempre me caracterizara? Logo eu, que sempre desprezei quem desaproveitava o dom da vida e fugia da forma mais cobarde aos problemas, estava agora a questionar-me se valeria a pena continuar.
Quase sem dar por isso estava estacionado junto ao Cabo Espichel, lugar onde desde sempre costumava ir para meditar. Estava sozinho, a tempestade que se começava a manifestar não convidava a passeios. Quem me tinha conduzido ali? A minha consciência ou algo superior, que me queria obrigar a tomar uma decisão?
O vento soprava agora com violência e começava a chover abundantemente. Mas não me sentia desconfortável, antes pelo contrário. A visão daquele mar poderoso, violento, incansável tinha-me aclarado a mente. Aproximei-me da beira, para melhor contemplar aquele espectáculo proporcionado pela natureza. Lentamente abri os braços, sentindo o vento a envolver-me. Olhei para cima, enfrentando a chuva que me fustigava a cara, cada gota sentida mais intensamente que a anterior.
Quem era eu para ter o direito de desistir, perante aquela manifestação de força? Consegues sentir o mar? O vento? A chuva? Eles nunca desistirão, eles são a natureza! GRITA-LHES! SENTE! TU ÉS A NATUREZA! VIVE-A!
O vento projectou-me para trás, fazendo-me cair de costas. Não sei quanto tempo fiquei ali no chão, imóvel, mas a sentir-me mais vivo do que nunca. Quando a tempestade começou a acalmar, levantei-me. A quem quer que me tenha levado ali, obrigado. Nunca esquecerei esta lição.
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Saturday, February 21, 2009
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